O cenário atual das ações e novos códigos de negociação

As ações da Embraer operaram em queda no último pregão, mas com um volume expressivo de negociações. O papel negociado sob o ticker EMBJ3 na B3 registrou um recuo de 3,21%, cotado a R$ 83,03, com as mínimas e máximas do dia batendo R$ 81,15 e R$ 86,45, respectivamente. O giro financeiro ultrapassou a marca dos R$ 402 milhões. Vale lembrar que a companhia passou por uma mudança importante recentemente em sua identificação no mercado financeiro. Desde o dia 3 de novembro de 2025, a fabricante adotou novos códigos de negociação. Na bolsa brasileira, as ações ordinárias deixaram o antigo código EMBR3 para adotar o EMBJ3. O mesmo movimento ocorreu na Bolsa de Nova York (NYSE), onde os American Depositary Shares (ADRs) de nível III e os bonds agora respondem pelo ticker EMBJ, substituindo o antigo ERJ.

De estatal a gigante global da aviação

Para entender o peso financeiro e operacional da companhia, é preciso olhar para a sua história. Criada em 1969 pelo Governo Federal sob o nome de Empresa Brasileira de Aeronáutica, a Embraer nasceu como uma companhia de capital misto e controle estatal. A verdadeira virada de chave aconteceu com a privatização em 1994. A partir desse momento, a fabricante decolou para se tornar a maior exportadora de bens manufaturados de alta tecnologia do Hemisfério Sul e a terceira maior produtora global de jatos comerciais de até 150 assentos. Hoje, o capital da empresa é bastante pulverizado e integra o Novo Mercado da B3. Contudo, o governo brasileiro ainda mantém a “Golden Share”, uma ação de classe especial que garante poder de veto em decisões estratégicas. O mercado ainda se recorda dos movimentos audaciosos de 2018, quando a empresa anunciou uma parceria com a Boeing, envolvendo a venda do controle da divisão de aviação comercial para a gigante norte-americana e a criação de uma joint venture focada no cargueiro KC-390, um dos projetos mais promissores da aviação militar.

Reconhecimento dos parceiros estratégicos de 2026

Todo esse histórico de expansão exige uma operação logística impecável e o apoio de parceiros globais. Com uma cadeia de suprimentos espalhada por mais de 60 países, a fabricante realizou recentemente, em São Paulo, a Embraer Suppliers Conference (ESC) de 2026. O evento teve como tema “Moving Forward as One” e premiou os dez melhores parceiros globais cujo desempenho contínuo foi fundamental para a eficiência e os resultados da companhia ao longo de 2025. O destaque na categoria de Interiores ficou com a alemã Diehl Aviation, enquanto a austríaca FACC levou o prêmio de Estruturas. A SAP, também da Alemanha, venceu em Suprimentos Indiretos, e a norte-americana Hexcel foi reconhecida em Hardware e Matérias-Primas. A brasileira Globo Usinagem representou a indústria nacional ganhando como Subcontratada. Garmin e Moog, ambas dos Estados Unidos, venceram em Sistemas Elétricos/Eletrônicos e Sistemas Mecânicos, respectivamente. Completaram a lista a italiana ASE na categoria de Novos Desenvolvimentos, a holandesa Fokker Services em Serviços e Suporte, e a Pratt & Whitney, reconhecida por Colaboração Excepcional.

Visão de futuro e alinhamento de mercado

Esses premiados ganham muito mais do que um troféu, já que passam a integrar imediatamente o Supplier Advisory Council (ESAC). Trata-se de um comitê estratégico focado em discutir tendências de mercado e novas oportunidades de negócios lado a lado com a alta liderança da Embraer. Durante a conferência, Roberto Chaves, vice-presidente executivo de compras globais e suprimentos da empresa, deu o tom do atual momento da fabricante. Ele explicou que a companhia atravessa uma fase de forte demanda, com resultados consistentes e muita ambição, o que exige uma sincronização absoluta de todo o ecossistema. O executivo ressaltou que a premiação cumpre o papel essencial de reforçar esse alinhamento com os fornecedores, garantindo que a performance operacional da Embraer se mantenha em alta para os próximos anos.