Os preços do suíno vivo e da carne suína no Brasil apresentaram queda nas duas primeiras semanas de março, de acordo com um relatório recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A retração nos preços reflete um cenário de menor demanda no mercado interno, impulsionado por desafios no consumo e estoques elevados em algumas regiões produtoras.
Menor demanda interna impacta negociações
O desaquecimento das vendas de carne suína no mercado doméstico fez com que compradores reduzissem o ritmo de novas negociações de suínos vivos. A menor liquidez no setor fez com que frigoríficos e distribuidores ajustassem suas compras, contribuindo para a desvalorização do produto.
Analistas apontam que esse cenário pode estar relacionado à sazonalidade do consumo. Nos primeiros meses do ano, historicamente, a demanda por carne suína no Brasil tende a ser menor em comparação com períodos de maior aquecimento, como o final do ano, quando há um crescimento no consumo impulsionado pelas festas de fim de ano.
Além disso, a concorrência com outras proteínas, como carne bovina e de frango, pode influenciar a comercialização. Apesar de a carne suína ser uma opção mais acessível do que a bovina, oscilações nos preços da carne de frango podem levar consumidores a optarem por essa alternativa, reduzindo ainda mais a demanda pela carne suína.
Exportações seguem trajetória de crescimento
Enquanto o mercado interno enfrenta dificuldades, as exportações de carne suína brasileira seguem em alta. Apesar de uma leve retração nos embarques observada em janeiro, o setor se recuperou rapidamente, registrando um crescimento significativo em fevereiro.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume exportado em fevereiro atingiu um novo recorde para o mês, assim como a receita gerada pelas vendas internacionais. Esse desempenho reflete a crescente demanda por carne suína brasileira em mercados externos, especialmente na Ásia, onde países como China e Hong Kong continuam a ser os principais destinos do produto.
O aumento das exportações também é favorecido pelo câmbio, já que a valorização do dólar frente ao real torna a carne suína brasileira mais competitiva no mercado global. Além disso, fatores como a recuperação do consumo na China, após medidas de restrição sanitária, e a necessidade de reposição de estoques em diversos países impulsionaram as compras de carne suína do Brasil.
Perspectivas para o mercado de carne suína
Especialistas do setor indicam que, apesar da atual queda nos preços no mercado interno, o desempenho positivo das exportações pode ajudar a equilibrar a cadeia produtiva nos próximos meses. O aumento da demanda internacional pode estimular a valorização da carne suína no Brasil, especialmente se houver uma redução nos estoques e uma recuperação gradual do consumo interno.
Além disso, fatores como custos de produção, especialmente o preço dos insumos para alimentação animal, seguem sendo monitorados pelo setor. O milho e a soja, principais componentes da ração suína, têm apresentado oscilações no mercado, impactando diretamente os custos para produtores. Caso os preços desses insumos se mantenham elevados, os suinocultores poderão enfrentar desafios para manter margens de lucro satisfatórias.
No curto prazo, a expectativa é que o mercado continue acompanhando os desdobramentos do consumo interno e das exportações. Caso a demanda externa siga aquecida e o mercado interno apresente sinais de recuperação, os preços da carne suína no Brasil poderão encontrar um ponto de estabilização.