No evento, prestigiado por deputados do PT e líderes de movimentos sociais, a vereadora fez críticas à prefeita Roseli Pimentel e sua base aliada na Câmara de Santa Luzia

Eleitores, correligionários, deputados, lideranças de outros partidos, representantes de movimentos sociais, artistas e ativistas sociais se reuniram na manhã deste domingo (19) para prestigiar e conferir a prestação de contas do mandato 2013-2016 da vereadora Suzane Duarte Almada (PT). O encontro foi realizado no salão da Igreja de Nossa Senhora da Penha, no bairro Palmital, em Santa Luzia.

Batizado de “vocalizar”, o evento deu oportunidade para que muitos convidados se pronunciassem sobre problemas do município e sobre a atuação de Suzane em seu último mandato. A vereadora – reeleita em 2016 pela segunda vez com 1.572 votos – fez questão de explicar a escolha do tema. “Viemos aqui hoje vocalizar sonhos e demandas para Santa Luzia e para nossa gente. Dizer o que pensamos. Temos que nos considerar uma rede e o mandato é apenas mais uma ferramenta de enfrentamento”.

De acordo com Suzane, seu último mandato foi mais voltado para a fiscalização. “Nesse ponto, até por tudo que aconteceu em Santa Luzia, foi preciso atuar mais firmemente nessa área. Os escândalos, os esquema de corrupção, de desvio de dinheiro e o mau uso dos nossos recursos nos obrigaram a dar mais destaque a essa tarefa. Buscamos, via Ministério Público e Tribunal de Contas, garantir esse controle. Isso exigiu que déssemos prioridade à participação nas comissões da Câmara”.

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No que diz respeito à legislação, Suzane admitiu que apresentou poucos projetos a seus pares. “Além de termos priorizado a participação nas comissões, essa é uma tarefa muito dificultada. ‘Ah, isso só o prefeito pode apresentar, isso vai gerar aumento de gastos, concorre com a prefeitura, etc’. Mas apresentamos alguns, voltados para a realidade de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, outro sobre como as entidades de Santa Luzia podem requerer o título de utilidade pública e outro sobre a situação do motofrete. Gastamos mais tempo tentando melhorar, aperfeiçoar e apresentar emendas sobre projetos apresentados por outros colegas e pela Prefeitura”.

A vereadora ressaltou que seu mandato fez questão de não ser voltado exclusivamente para um bairro específico. “Não esqueço de onde saí e considero essa região prioritária, mas o dever do vereador é trabalhar para toda a cidade”, garantiu, destacando a sensação de pertencimento a um único local que deve existir em Santa Luzia, tanto para quem mora na sede quanto para quem mora no distrito.

Novo mandato e problemas com a prefeita

Para o mandato que iniciou no último dia 1º de janeiro, Suzane elencou seis itens como prioridade: mulheres, cultura, juventude, mobilidade urbana, saneamento e habitação, que serão trabalhados a partir de três pilares: mobilização e participação, formação e comunicação. “Vamos gastar menos tempo e energia com as comissões, ao menos nesse primeiro ano. Iremos potencializar nossa presença nos bairros e nas comunidades. Vamos discutir os problemas da cidade nas ruas. Continuaremos a fazer isso no campo institucional, mas entendemos que lá estamos travados”.

Suzane afirmou que, a despeito da renovação na Câmara, houve poucas mudanças no comportamento dos colegas, principalmente os da base da prefeita Roseli Pimentel (PSB). “Já nas primeiras sessões, o grupo aliado à prefeita veio como um rolo compressor. Tentamos buscar uma série de informações sobre as mazelas da cidade, mas fomos impedidos. Com Calixto, ainda havia um mínimo de diálogo institucional. Agora, a prefeita já mandou recado dizendo que não recebe nem a mim e nem a outros vereadores que ela não considera apenas como oposição, mas quase que inimigos”.

DSC02891A vereadora apresentou seu novo mandato como parte de um processo de enfrentamento ao crescimento da direita não apenas no país, mas no mundo. “Vivemos um momento mundial que é contra os direitos dos pobres. Estamos presenciando o avanço do fascismo, da intolerância, do preconceito contra as mulheres, negros, homossexuais, contra a juventude. Mas há movimentos de resistência, inclusive aqui entre nós. Nosso mandato atual se coloca a favor desse processo de resistência”.

 

Deputados petistas enaltecem Suzane

Única mulher eleita pelo PT a vereadora nas principais cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Suzane passou a ter importância estratégica dentro do partido, que busca se reerguer após os escândalos de corrupção e o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Foi o que ressaltaram os deputados estaduais Marília Campos e André Quintão, presentes na prestação de contas.

“Suzane conseguiu ser reeleita em um momento delicado para o partido, em que o PT sofre uma autêntica campanha de destruição. Isso mostra que ela fez muito pelo povo de Santa Luzia”, disse Marília. “É preciso lembrar, ainda, que por ser mulher, é ainda mais complicado. É difícil entrar, mas muito mais difícil é continuar. Por isso o trabalho dela se destaca”, disse a deputada, uma das mais reconhecidas lideranças femininas do PT.

André Quintão, que comandou a Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social no começo do governo Fernando Pimentel, concordou com a colega. “A reeleição de Suzane revela sua força junto ao povo luziense. Seu mandato expressa uma ala do partido mais próxima dos movimentos sociais”, afirmou. Para o deputado, “é muito importante que os mandatos tenham essa prática de prestar contas e ouvir as pessoas. E o mandato de Suzane é exatamente assim: plural, coletivo”, completou.

De acordo com Marília, a importância de Suzane já ultrapassou os limites de Santa Luzia. “Por seu trabalho enraizado na comunidade, na construção da cidadania, ela é uma liderança metropolitana. Espero vê-la prefeita um dia. É meu sonho. E vou trabalhar muito por isso”.

Além de Marília Campos e André Quintão, estiveram presentes na prestação de contas representantes do deputado estadual Rogério Correia e do deputado federal Padre João, ambos também do PT, e o candidato a prefeito de Santa Luzia pelo PSOL em 2016, João Rasgado. No meio das falas, a bailarina Ilma Silvério (abaixo) apresentou uma intervenção artística retratando o empoderamento das mulheres.

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