IMG_0706“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz”. Presente no diálogo entre a raposa e o Pequeno Príncipe, foi publicada em 1943. Mas podia ter sido criada na tarde desta quinta-feira (22), quando, ansiosos, amigos e servidores públicos aguardavam o regresso de Roseli Pimentel (PSB) ao comando da Prefeitura de Santa Luzia.

A decisão de que Roseli poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral em seu posto foi proferida pelo ministro do TSE, Admar Gonzaga Neto. A chefe do Executivo municipal ficou afastada por duas semanas após seu mandato ter sido cassado pelo TRE por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2016.

IMG_0727Nesse período de afastamento, ela já esperava por um resultado favorável ao seu pleito em Brasília. Em áudio enviado a um grupo de amigos e apoiadores no WhatsApp e que vazou na internet, ela declarou que seu advogado já havia despachado com o ministro relator do processo, que estava tudo “99,9%” resolvido e que já nesta semana a equipe teria boas notícias.

“Acalmem as pessoas, digam que está tudo certo. Vai dar tudo certo. O nosso grupo não é só um grupo de trabalho, mas um grupo de amigos. Um grupo que venceu uma eleição e contra a democracia não existe mais nada. Estarei de volta subindo não pela porta dos fundos, mas pela porta da frente e com vocês todos comigo”, declarou.

De volta à cadeira

IMG_0742Cumprindo a promessa, cerca de 100 pessoas esperaram pela chegada da prefeita na porta do prédio principal da Prefeitura de Santa Luzia, onde fica localizado o gabinete do Executivo. O grupo começou a se reunir por volta das 15h, mas a tensão e a ansiedade só tiveram fim às 17h, quando o carro de Roseli cruzou a portaria. Rojões, abraços, lágrimas, aplausos, gritarias e corações de papelão serviram de cenário para a recepção.

Semelhante a uma torcida de futebol que invade o campo e conduz os jogadores na volta olímpica, Roseli foi escoltada – quase arrastada – até a porta de seu gabinete. Além de seu secretariado – ou o que sobrou dele –, muitos vereadores participaram a festa, como Ivo Melo (PSB), Neylor Cabral (PROS), Adriano do São Cosme (PMN), Balu (PTN) e Emília Alves (PSB).

Já no gabinete, a prefeita, antes de posar para fotos, reorganizou sua mesa, ocupada durante seu afastamento pelo prefeito interino, Sandro Coelho (PSB). Neste momento, Roseli não conseguiu esconder, por seus gestos e expressão facial, seu descontentamento com o breve antecessor. Os papeis ainda restantes em cima da mesa foram pegos com as pontas dos dedos e semblante de reprovação.

Depois das fotos, Roseli disse que não daria nenhuma declaração à imprensa por recomendação de seus advogados. Chegou a ser cogitada uma entrevista coletiva, mas a prefeita rapidamente descartou. “Não tenho porque marcar wuma coletiva só para isso. Nosso trabalho na prefeitura terá prosseguimento de onde parou após uma rápida interrupção”, disse.

IMG_0956Elo enfraquecido com Sandro

Velhos conhecidos – ambos foram diretores de escola – e colegas de partido, Sandro e Roseli tinham uma relação bastante próxima até poucos dias atrás. A prefeita, inclusive, foi fundamental para que ele fosse escolhido presidente da Câmara, no início do ano. O período em que a prefeita ficou afastada serviu para nublar a aliança política, talvez até definitivamente. Nas duas semanas em que esteve à frente do Executivo, Sandro fez alterações inesperadas na equipe de Roseli, gerando desagrado e colocando a relação em xeque.

Duas das principais escudeiras da prefeita perderam o cargo. A procuradora do município, Dra. Patrícia Adriana, foi exonerada. Núbia Marques, secretária de Administração, foi mantida na equipe, mas remanejada para a Secretaria de Educação (função que já havia exercido em 2016). Allan Conrado, chefe de setor de Direitos Humanos, também foi exonerado.

Além das mudanças, outros setores ligados à Roseli foram desprestigiados pelo prefeito interino de outras maneiras. A Secretaria de Comunicação, por exemplo, alocada em salas coladas ao gabinete da prefeita, foi alijada para o último prédio da Prefeitura, na longínqua sala 36.

Sem citar o nome de Sandro, Roseli Pimentel desabafou em seu perfil no Instagram no dia 11 de junho. “Muito triste e decepcionada ao ver fotos e pessoas que vivem de oportunidades tirando da população, como sempre aconteceu, em tão pouco tempo de volta a prefeitura. Mas a briga vai ser acirrada, o que é do povo ninguém tira. Me desculpem o desabafo”, disse.

No fim da tarde desta quinta-feira (22), o site da Câmara anunciou o retorno de Sandro às suas funções de presidente da Casa. “Após ser comunicado oficialmente pelo Cartório Eleitoral da 246ª/ZE da decisão do TSE, que concedeu liminar favorável ao recurso da prefeita Roseli Pimentel, o vereador Sandro Coelho, Presidente da Câmara Municipal de Santa Luzia, retornou aos trabalhos no Legislativo”, diz a nota.

 

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