Roseli nomeia Henry Santos para diretoria na Secretaria de Desenvolvimento Social e traz Adriano do São Cosme de volta ao Legislativo

DSC02607Dezenove anos de diferença e 302 votos a mais conquistados na eleição de 2016 distanciam o calouro na Câmara Municipal de Santa Luzia, Henry Santos (29), do vereador veterano Marcio Adriano Figueiredo, o Adriano do São Cosme (48). Distância que precisou ser diminuída pelas circunstâncias políticas.

Como se fosse um tabuleiro de xadrez, o arranjo das peças foi modificado. Seguindo a regra do jogo, Adriano perdeu seu lugar na Câmara. No entanto, conseguiu votos suficientes para ser o primeiro suplente da coligação envolvendo seu partido, o PMN, e o PRB de Henry Santos. Com o convite da prefeita Roseli Pimentel para que o novato fizesse parte do Executivo, Adriano garantiu sua permanência no Legislativo.

Estreante na política luziense, Henry foi convidado para assumir a Diretoria de Prevenção ao Álcool e Drogas da Secretaria de Desenvolvimento Social. Para ele, uma surpresa. “Eu não esperava por isso. Eu estava mesmo um pouco despreparado para assumir um cargo no Legislativo. Então a Secretaria, como já mexo há mais de dez anos com trabalho social, é o meu perfil. Onde eu me encaixo melhor”, disse.

De acordo com Adriano, essa decisão foi tomada em conjunto pela prefeita e pela presidência do PRB (Partido Republicano Brasileiro). “Houve uma conversa com o presidente municipal e estadual do partido e, por eu estar a mais tempo na política e ser mais articulado com os vereadores, era importante a ida do Henry para a secretaria e o meu retorno à casa. A intenção é não dividir. Nós vamos conseguir fazer pela primeira vez em Santa Luzia uma unificação. Um vereador de mandato ocupando um cargo em uma Secretaria. Será uma atitude pioneira. E o resultado será positivo para a cidade”.

União e apadrinhamentoDSC02614O desembarque de Henry na política ocorreu graças à sua posição de destaque na Igreja Universal. Ele foi escolhido para ocupar o espaço que, até ano passado, pertencia ao ex-vereador Leandro de Paula Gomes, o Pastor Leandro, indiciado e preso em 2016 por suspeita de fraude nas licitações para serviços de limpeza urbana, escândalo que ficou conhecido na cidade como “Máfia do Lixo”.

“Na Universal, a gente tem um lema que é não pedir, mas sempre servir. Todos nós somos servos. Quando aconteceu aquele episódio com o Pastor Leandro, nós não podíamos ficar sem um representante na cidade. E no perfil que o deputado estadual Gilberto Abramo (PRB) queria para representar o partido e a igreja, poucos servos se encaixaram. Eu fui o último a ser escolhido, passaram nove pessoas antes de mim. Quando me escolheram, eu percebi que era um chamado de Deus e, se ele me escolheu, Ele vai me capacitar. Estou disposto para aprender”.

Mas ele não está sozinho. Henry vem sendo conduzido e apresentado à política exatamente por Adriano, a quem já chama de padrinho. Durante toda a conversa, os vereadores demonstraram sintonia. Apesar de se conhecerem há pouco tempo, um elo está sendo construído.

“Ele está conquistando a minha confiança. Está pegando a paixão que eu tenho pela política e me mostrando os caminhos certos. Muita gente sabe que, de um modo geral, a política é cheia de caminhos errados. É uma oportunidade que se abre para mim então eu vou aproveitar. E, estando na secretaria, toda a oportunidade que eu tiver de atender a ele e a outros vereadores eu vou fazer”, disse Henry.

“Meu fechamento é você”

Eleito em 2012 com 1.406 votos, Adriano passou a última legislatura envolvido em polêmicas. Um de seus alvos mais constantes era a prefeita Roseli Pimentel, a quem acusava de ter abandonado o Bairro São Cosme, onde é majoritário, e de não estabelecer qualquer tipo de diálogo com a Câmara. As discordâncias com a mandatária aproximaram o vereador do então pré-candidato à Prefeitura, Christiano Xavier.

“Eu só não caminhei com o Christiano porque ele não quis cumprir o compromisso de fechar a coligação PMN-PSD. Eu havia levado o PSD para ele. Foi como se eu tivesse dado a ele um presente e ele me retribuiu com um não”, acusou Adriano. Durante a pré-campanha, os dois publicaram fotos juntos em suas redes sociais, mas acabaram em lados opostos nas eleições.

O rompimento obrigado Adriano a voltar atrás em suas posições e procurar a (agora ex) desafeta Roseli Pimentel. O recuo, segundo ele, se deu unicamente à uma decisão político-partidária.

“Em acordo com o presidente estadual do PRB, sentamos e vimos que a somatória dos dois partidos faria um vereador, ou até dois. Naquele momento, a gente sabia que eu não era base de governo. Eu estava afastado da prefeita. Mas honrei um compromisso de fechamento com ela. Fui Roseli 100%, como sou agora”, justificou.

A quem serve a mudança

A mudança atende a diversos interesses do grupo político hoje chefiado pela prefeita Roseli Pimentel. Com o movimento, ela prestigia um apoiador de última hora e entrega ao PRB, partido ligado à Igreja Universal, uma diretoria cujo trabalho é voltado para a camada mais carente da população, justamente a que mais se identifica com igrejas evangélicas neopentecostais.

Nesse jogo, todos os envolvidos saem vencendo. Vence a prefeita, que acerta uma dívida e coloca na Câmara um aliado mais experiente e articulado; vence Adriano, que recupera o cargo que havia perdido nas urnas; e vencem o PRB e o agora diretor Henry Santos, que terá nas mãos a possibilidade de consolidar ainda mais seu nome com o eleitorado.

 

 

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