Novo contrato com a prefeitura e o retorno das atividades está condicionada ao acerto do passivo, principalmente com ex-funcionários

DSC03698Após cinco anos de muito impasse, a situação do Hospital São João de Deus segue instável e sem solução próxima em Santa Luzia. Nas últimas semanas, o assunto voltou a ganhar força na cidade após a marcação de uma Audiência Pública na Câmara e um protocolo assinado pela prefeita Roseli Pimentel (PSB) que acena com a reabertura da unidade hospitalar, com o funcionamento da maternidade e o uso dos serviços de lavanderia e da central de esterilização dos equipamentos.

A audiência, realizada na tarde desta quinta-feira (23), foi requerida pela vereadora Luíza do Hospital (PTB) após uma série de queixas de ex-funcionários do Hospital, que já estão há sete meses sem receber salários, sem que a Justiça do Trabalho resolva o problema. Estavam presentes a secretária de Saúde de Santa Luzia, Karina Silva, e o vice prior da Irmandade que administra o hospital, Camilo Teixeira, convidados pela Comissão de Saúde, Meio Ambiente e Ação Social do parlamento.

Acerto do passivo condiciona novo contrato

Questionada sobre até que ponto o acordo entre a prefeitura e o hospital é concreto, a secretária explicou que ele existe, mas só poderá ser assinado após a realização de um levantamento dos débitos que o São João de Deus ainda mantém. “O acordo prevê a realização de três mil partos por ano. Mas precisamos que a entidade apresente para a prefeitura o levantamento dos custos, para que possamos formalizar o contrato”, disse Karina.

De acordo com Camilo Teixeira, a administração do hospital está levantando todas as contas pendentes desde novembro de 2013, até para separar o que será usado para quitar débitos passados dos gastos para a execução do novo contrato, mas assegurou que o pagamento dos funcionários terá primazia. “A despeito de qualquer outra dívida, eles têm prioridade no recebimento. Obviamente que o novo contrato terá que destinar recursos para isso, mas não podemos pegar todo o dinheiro, pagar os funcionários e o hospital continuar fechado. Vamos negociar acordos com os empregados e com os fornecedores para podermos reiniciar os trabalhos”.

O gestor assumiu que parte das dívidas do hospital serão relegadas a segundo plano. De acordo com ele, dos R$ 10 milhões que o São João de Deus deve atualmente, “quatro milhões estão no Pró-Saúde do governo da Dilma, que é um pagamento a sumir de vista, ou seja, não é exigido agora. Então abaixa para seis milhões. Um milhão é dívida com a Caixa Econômica Federal, que também não precisa ser pago imediatamente. Então, o passivo exigível gira hoje em torno de R$ 5 milhões”.

Quanto à recontratação dos funcionários que ficaram desempregados após o fechamento do hospital, Camilo foi categórico: para que eles voltem a trabalhar, terão que abrir mão da indenização decorrente da demissão. Do contrário, não haverá acordo.

 

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