Presidente da Câmara volta ao comando do Executivo após afastamento de Fernando César e deixa dúvidas sobre como será seu governo

Roseli Pimentel. Sandro Coelho. Roseli Pimentel. Fernando César. E, novamente, Sandro Coelho. Nesta sexta-feira (27), a Prefeitura de Santa Luzia conheceu seu quinto comandante em apenas dez meses. Pela segunda vez no ano, o presidente da Câmara passou a ocupar o comando do Executivo, após a Justiça Eleitoral rejeitar embargos declaratórios da chapa Roseli/Fernando e cassar os diplomas da prefeita eleita e do então vice, vencedores do pleito de 2016.

De volta à prefeitura, qual será o comportamento de Sandro Coelho? O interino ainda não deu nenhuma declaração à imprensa, mas dificilmente irá se pronunciar de maneira mais incisiva. Quando assumiu o Executivo pela primeira vez no dia 7 de junho, ele disse: “Posso ficar na frente da prefeitura por apenas 30 segundos, uma hora ou 15 dias. Estamos muito tranquilos com relação a isso. Independentemente do tempo que eu fique, vou trabalhar como tenho trabalhado na Câmara”.

A prefeitura que Sandro encontrou nesta sexta-feira é bem diferente daquela que deixou 15 dias após sua primeira posse, quando Roseli retornou graças a um efeito suspensivo conseguido junto ao TSE. Com a prisão da prefeita – indiciada pelo assassinato do empresário Maurício Campos Rosa, dono do jornal O Grito –, seu vice Fernando assumiu e mudou todo o secretariado. Apoiado fortemente pelo Governo do Estado, trouxe para Santa Luzia nomes que haviam passado recentemente pela Cidade Administrativa – alguns exonerados nesta semana, por motivos ainda desconhecidos. Da antiga equipe de Roseli, permaneceram somente Ocimar do Carmo, transferido para a Secretaria de Desenvolvimento Social, Russlan Abadjieff (novamente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e Mozart Grossi, Secretário de Educação.

Quando tomou posse em junho, Sandro surpreendeu com algumas mudanças feitas na equipe de governo. Duas das principais aliadas de Roseli foram afastadas: Patrícia Adriana, então procuradora, e Núbia Marques, que deixou a Secretaria de Administração e foi para a Educação. As mudanças causaram fortes rusgas na relação entre Sandro e a ex-prefeita, que chegou a desabafar em sua conta no Instagram. “Muito triste e decepcionada ao ver fotos e pessoas que vivem de oportunidades tirando da população, como sempre aconteceu, em tão pouco tempo de volta a prefeitura. Mas a briga vai ser acirrada, o que é do povo ninguém tira. Me desculpem o desabafo”, escreveu. Quando Roseli retornou à Prefeitura, foi recepcionada por vários vereadores da base aliada. Sandro, contudo, não apareceu na festa.

Desta vez, o cenário parece ser outro. Nos bastidores, comenta-se que Sandro foi um dos principais interlocutores de Fernando – um autêntico fiel da balança de seu curto governo. Parte do secretariado escolhido pelo vice de Roseli, inclusive, teria sido indicado pelo vereador. Uma coisa é certa: Sandro teve atuação decisiva para que o projeto de suplementação de dotação orçamentária, enviado à Câmara pela prefeitura, fosse aprovado na última segunda-feira (23).

A primeira passagem de Sandro na Prefeitura durou somente duas semanas. Desta vez, é provável que dure mais tempo. Fernando tentará novo efeito suspensivo junto ao TSE mas, com tantas decisões do TRE pela cassação, as chances de sucesso em Brasília são diminutas. Novas eleições serão convocadas e podem ocorrer no primeiro semestre de 2018. Sandro irá comandar a cidade até o pleito e depois retornará às suas funções na Câmara (já está reeleito presidente do Legislativo para mais um ano) ou irá articular, junto ao grupo que levou Roseli ao poder, sua candidatura a prefeito?

Lau de volta à Câmara

A posse de Sandro como prefeito interino levará à Câmara mais um dos vereadores afastados em 2016 por suspeita de fraude no esquema que ficou conhecido como “Máfia do Lixo”: Geraldo Vidal Filho, o Lau, que, com 922 votos nas eleições de 2016, acabou como segundo suplente na coligação PSB/SD. Em agosto, Ticaca, também indiciado pela Polícia Civil, tomou posse após o afastamento de Emília Alves, suspeita de desvio de recursos públicos. Na próxima semana, o atual presidente da Câmara, João Binga (PROS), deverá convocar Lau para recompor o parlamento luziense.

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