Morador do Boa Esperança, João Bosco Giovannini criticou a prefeita Roseli Pimentel e apresentou voto de confiança na nova composição do Legislativo

A reunião ordinária da Câmara de Santa Luzia desta terça-feira (21) foi marcada pela intervenção do professor aposentado João Bosco Giovannini. Ele fez valer o adjetivo de “Casa do Povo”, subiu à tribuna e proferiu um longo discurso, no qual fez duras críticas à gestão da prefeita Roseli Pimentel (PSB), elencou uma série de problemas pelos quais passa a cidade e manifestou sua esperança com a renovação ocorrida no parlamento municipal após as eleições de 2016.

“Por diversas vezes estive nessa tribuna e confesso que, na maioria delas, saí bastante frustrado. Volto hoje com boas expectativas e espero, sinceramente, não me decepcionar novamente. Venho motivado por uma grande renovação dos componentes dessa Casa e me orgulho de ver entre os novos vereadores alguns de meus ex-alunos”, disse João Bosco, que por 40 anos lecionou na cidade e hoje coordena o jornal do Colégio Cramer.

De acordo com João Bosco, “Santa Luzia deixou escapar várias oportunidades de dar um belo exemplo ao Brasil com pequenas atitudes do dia a dia desta Casa”. Para ele, “alguns vereadores ainda não se conscientizaram da importância de seu papel e de que seu compromisso é com o interesse de seus eleitores e dos cidadãos a quem representam e não com interesses eleitoreiros”. O professor alertou: “É importante lembrar, sempre, que os senhores não estão aqui para se submeterem à vontade soberana de um prefeito”.

No discurso, o professor destacou a Lei de Uso e Ocupação do Solo que, segundo ele, foi “elaborada por urbanistas de fora, que sem conhecimento da nossa realidade e da nossa cultura, e aprovada por esta Câmara sem a devida discussão nas comunidades envolvidas” e que precisa ser revista urgentemente. Ele também questionou gastos com Carnaval, apesar dos “vários postes sem iluminação” e os buracos espalhados pela cidade. “Os foliões que se cuidem para não quebrarem o pé”.

Ex-presidente da Associação Comunitária do Boa Esperança, João Bosco lamentou a maneira como o bairro tem sido tratado pela Prefeitura e cobrou informações sobre um abaixo-assinado dos moradores da localidade que fora protocolado em dezembro do ano passado e que, segundo ele, desapareceu. A prefeita Roseli Pimentel também foi alvo de queixas. “Neste mês, faz um ano que tento falar com a prefeita. Depois de muito insistir e não conseguir uma audiência, protocolei uma carta dirigida a ela expondo minha decepção quanto a não ser recebido, uma vez que queria apenas apresentar-lhe algumas sugestões para a melhoria da qualidade de vida dos luzienses. Recebi então, em meu celular, uma mensagem dela, em tom bastante irônico, totalmente incompatível com o cargo que ela ocupa, um total desrespeito ao cidadão”.

O professor encerrou seu discurso – aplaudido de pé por vários vereadores e pelo público presente no plenário da Câmara – reiterando cobranças aos vereadores e exigindo uma postura mais rígida face ao Executivo municipal. “Sejam nossos fiscais! Ouçam os verdadeiros anseios da população. Comportem-se como nossos legítimos representantes. Apresentem indicações que realmente sejam de nosso interesse. Mantenham a consciência tranquila defendendo projetos que garantam a tranquilidade e a qualidade de vida para o cidadão luziense. E, principalmente, evitem que a prefeita continue cometendo arbitrariedades”.

Homenagem de ex-alunos

Após seu discurso, João Bosco foi cumprimentado por vários vereadores, alguns deles seus ex-alunos, como César Lara Diniz (PC do B). “João Bosco contribuiu muito para que eu estivesse aqui hoje. Muito mais que aulas de português, este homem nos ensinava o que é ser cidadão, o que é lutar por seus direitos. Peço que ele esteja sempre presente conosco para somarmos forças e trabalharmos, efetivamente, em prol do povo luziense. Suas palavras são um verdadeiro ensinamento para nossa legislatura”, disse.

“Tive a honra de ser aluno e depois colega do professor João Bosco”, disse o vereador Zé Cláudio (PSDB). “Quando falo que nesta casa não temos que fazer política a ferro e fogo, é como na fala do João Bosco, que em várias vezes disse apostar nos vereadores que aqui estão. Teremos divergências, iremos discutir em algumas ocasiões, mas temos que ter coragem de fazer essa mudança”, completou.

Antes da retomada dos trabalhos, o vereador João Binga (PROS) retrucou a fala do professor, a quem acusou de já ter dito que tinha “nojo dos vereadores”. “Temos que respeitar a opinião de cada munícipe. Alguns ficam satisfeitos, outros não. No entanto, o professor João Bosco já esteve aqui em outros mandatos acusando e já se referiu a nós dizendo ter nojo dos vereadores, o que me deixou decepcionado. Em uma audiência pública, o senhor defendeu muito o seu bairro, não tinha interesse em defender a cidade. Não estamos aqui para agradar ao professor João Bosco, mas para defender a cidade”, disse Binga. O vereador ainda tentou defender a prefeita Roseli Pimentel, mas foi por diversas vezes interrompido pelos moradores presentes no plenário.

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