De acordo com os investigadores, pelo menos R$ 21 milhões podem ter sido desviados dos cofres públicos

A Polícia Civil realizou, nesta sexta-feira (15), a primeira fase ostensiva da Operação Esculápio, que investiga um esquema de fraudes em licitações que levaram a um rombo milionário na Secretaria de Saúde de Santa Luzia.

Ao todo foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, sendo três deles em Belo Horizonte – nos bairros Ouro Preto, Boa Vista e Prado – e um em Santa Luzia, na residência da prefeita eleita em 2016 Roseli Pimentel (PSB) – presa no último dia 7 de setembro suspeita de homicídio -, onde foram recolhidos documentos e um notebook.

Conforme adiantou o delegado Alex de Freitas Machado, que preside o inquérito policial, documentos e arquivos obtidos durante o cumprimento dos mandados servirão de base para aproximar as provas de fraudes aos indícios já coletados pela Polícia Civil, em quase um ano de investigações. “Constatamos um claro superfaturamento em licitações na área da saúde, podendo-se adiantar que, até o momento, pelo menos R$ 21 milhões poderiam ter sido desviados dos cofres públicos”, disse.

Ainda segundo o delegado, uma manobra criminosa estaria em curso no município de Santa Luzia para forçar, por meio de sanções, empresas a deixarem de prestar os serviços de saúde. Com a argumentação de que a pasta estaria em estado de urgência e emergência, licitações arranjadas, com fomento de verbas extraordinárias e, até mesmo contratações diretas, estariam sendo feitas para executar os desvios de verbas. “Com as provas que obtivemos hoje, poderemos encaminhar ao Tribunal de Contas uma revisão para avaliar exatamente a dimensão do superfaturamento”. Machado pontuou, ainda, que as licitações realizadas recaem sobre forte suspeita, uma vez que os certames tinham envolvimento de três empresas, quase sempre as mesmas, que se revezariam para garantir valores superfaturados. Por essa razão, empresários e pessoas ligadas diretamente ao secretariado da prefeita de Santa Luzia já são investigados pela Polícia Civil.

O chefe do Departamento Estadual de Investigação de Fraudes, delegado Rodrigo Bossi, destacou a importância da parceria com órgãos federais de segurança e o constante aprimoramento da Polícia Civil, que se traduz em operações como a Esculápio. “Essa é apenas uma das cédulas de uma série de investigações que temos em todo o Estado que indicam técnicas semelhantes de corrupção. Nosso empenho em combater estes crimes que chegam a cifras milionárias é total”, afirmou.

Curiosidade

A operação foi batizada de “Esculápio” em homenagem ao deus da medicina e da cura na mitologia grega, uma alusão à secretaria que está sendo investigada.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil

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