22537955_343336162794855_567261487_nFortalecimento de laços, senso de comunidade e de pertencimento com o município. São inúmeros e comprovados os benefícios de uma praça bem cuidada e equipada para o bairro em que está inserida.

Além de tudo, praças bem planejadas também geram renda para a população. Food trucks, barraquinhas, academias ao ar livre, brinquedos infantis e vendedoras ambulantes compõem o cenário e garantem a subsistência de muitas famílias. Mas nada disso acontece em espaços abandonados pelo poder público e, consequentemente, pelos moradores.

Pelo contrário, quando o cenário é esse, aumenta-se a insegurança, pois os pontos passam a ser utilizados para a venda e consumo de drogas. Aumenta-se também a busca por diversão em ambientes externos ao bairro. Os moradores passam, então, a aquecer a economia de outras cidades.

Em questionário elaborado por consultores do Observatório Luziense especialmente para o Projeto Bairros e aplicado em todas as regiões do Palmital, 35,7% dos moradores da região afirmaram não sair para se divertir, pois não são oferecidas opções seguras de lazer. Além disso, 61, 8% afirmaram que as praças locais não estão bem conservadas, o que reduz as possibilidades de diversão no próprio bairro. Quando questionados sobre quais opções de lazer gostariam de ter no bairro, 20,6% escolheram o planejamento (ou revitalização) de uma praça melhor equipada.

Exceções à regra

O bairro Palmital existe há 50 anos e tem seis praças para aproximadamente 20 mil habitantes. Dessas, apenas duas foram reformadas recentemente. Justamente as que estão localizadas nas principais avenidas e, consequentemente, mais visíveis aos moradores (que votam, não podemos esquecer). Por descaso tanto da sociedade quanto do poder público, até as praças reformadas não estão conservadas.

A praça principal, conhecida como Pracinha da Savassi, que recebe eventos culturais, gincanas e à tradicional feira dominical, não teve em seu planejamento um projeto cuidadoso de arborização. É concreto puro, “sem vida”, de acordo com alguns moradores. Pessoas em situação de rua aproveitam o descaso e tomam o espaço como moradia, depositando ali colchões, cobertores, etc.

22554334_343336116128193_1845312200_nO ponto positivo, no entanto, é que equipamentos de ginastica foram instalados e brinquedos infantis, como trenzinhos de concreto, foram construídos para a alegria de adultos e brincadeira das crianças, o que ajuda a reforçar a integração da população com o espaço, principalmente nos finais de semana.

22497471_343336102794861_612520022_nO mesmo poderia ter sido feito na outra praça também reformada há pouco tempo. Localizada na Avenida Iolanda Teixeira da Costa, próximo à Igreja Católica Nossa Senhora da Penha e também ao posto do 35º Batalhão da Polícia Militar, ela se destaca pela presença de uma arvore frondosa que garante sombra fresca ao espaço, mas não tem nenhum outro atrativo, a despeito de sua posição privilegiada no bairro.

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Praças abandonadas

Quatro praças do bairro estão completamente abandonadas. No Palmital B, mais precisamente na Rua Geni de Oliveira Maia, o desmazelo com a praça inviabiliza qualquer tipo de convivência ou lazer. Bancos quebrados, passeios que impedem atividades físicas, entulhos e matos altos servem como triste moldura para um espaço que poderia ser mais útil para os moradores.

22538186_343336122794859_57848690_nQuem mora na vizinhança entende que a tarefa de cuidar melhor das praças não cabe somente ao poder público. Passeando com sua neta pelo local, Vilma Santos acha que é preciso um trabalho intenso de restauração para que o lugar se torne no mínimo agradável, mas também é preciso um trabalho de conscientização da população para que os entulhos não sejam mais depositados no passeio.

Para Luiz Fernando, que mora em frente à praça, brinquedos poderiam ser instalados para que as crianças dos arredores não corram mais riscos cortando os pés na hora da famosa “pelada” de domingo.

O cenário se replica nas três praças seguintes. Além do bairro, elas têm em comum o grande e mal utilizado espaço. Os moradores padecem com a falta de um planejamento urbano adequado e especifico.

Sentados na praça da principal via do bairro, a Avenida Amália Caldas Vargas, os amigos Marcos Afonso e Antônio Augusto conversam sobre a falta que esses espaços fazem para a população. “Parece que o Poder Executivo se esquece de alguns pontos do bairro. Ou dá mais atenção a uns do que a outros. Aqui, por exemplo, a praça está largada. Não tem capina nem limpeza. Chega até a nos dar uma revolta”, disse Antônio.

22627456_343336149461523_22901496_n“Eu moro aqui há 24 anos e as coisas não mudam. Precisamos que as pessoas olhem mais para as áreas afastadas do bairro e não só para os principais pontos e deem mais atenção a eles”, complementou Marcos.

Um pouco mais afastadas, as praças da rua Wilson Ferreira Pimentel e Hudson Milagre Amaral- localizada no Setor 7, se encontram em estados semelhantes. Na primeira, quase não há mais calçamento e o barranco pode ceder agora que o período de chuva se aproxima. Na segunda, falta bancos e aparelhos de ginastica. O mínimo que se espera para que uma praça seja aquilo que dela se espera: um ponto de encontro e diversão para os moradores próximos.

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