O coletivo estuda maneiras de plantar e colher o seu próprio alimento mesmo morando em apartamentos e casas onde já não se tem espaços específicos para o plantio de hortaliças. 

A tentativa de conscientizar a população para uma alimentação mais saudável, explicando o que faz bem ou não para o nosso corpo tem estimulado uma série de reuniões de um grupo de moradores de Santa Luzia para conversar sobre agricultura local e pensar novas formas de subverter a lógica da produção desenfreada de alimentos.

O coletivo estuda maneiras de plantar e colher o seu próprio alimento mesmo morando em apartamentos e casas onde já não se tem espaços específicos para o plantio de hortaliças. Uma das estratégias mais eficazes, nesse sentido, é utilizar um modelo de horta suspensa.

Na última quinta-feira (10), o grupo se reuniu no Centro Cultural Kolping, no São Benedito, para debater a agricultura familiar. Na conversa, cada um compartilhou seus conhecimentos sobre o assunto, ampliando a temática da discussão e resgatando saberes populares sobre plantio caseiro de alimentos, uma tradição que vem de gerações em algumas famílias.

Assessor parlamentar do deputado federal Padre João (PT), um dos apoiadores do coletivo, o professor Cleiton Henriques entende que plantar acaba sendo, também, um gesto de resistência e qualidade de vida. “Alimentos vendidos sem agrotóxicos ocupam espaços de destaque nos supermercados, são muito caros e não estão ao alcance da população periférica. Por isso, por que não comprar do vendedor que tem uma hortinha perto de sua casa ou mesmo plantar seu próprio alimento?”, questiona.

“É preciso repensar a forma de nos alimentar e alimentar ao outro, pois ela não está correta. Precisamos ter um pensamento estratégico em relação ao alimento”, pontua a assessora cultural Marilene Odara, que trabalha com a vereadora Suzane Almada (PT). “Na sequência desses três encontros, percebi que precisamos cativar as pessoas para que ela tenham uma consciência maior sobre esses assuntos”. Marilene revelou que algumas creches da cidade foram visitadas pelo coletivo para identificar espaços onde serão plantadas hortas comunitárias.

OL - Matéria Horta 02

A importância da produção local

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a agricultura familiar é responsável por garantir alimentos saudáveis e de qualidade na mesa dos brasileiros. Cerca de 70% da produção de alimentos consumidos no país vêm desse setor.

Isso explica o reconhecimento do setor na promoção de desenvolvimento local com sustentabilidade econômica, social e cultural. Gera postos de trabalho em número bem maior que a agricultura empresarial, se preocupa com a sustentabilidade socioeconômica e ambiental e preserva as tradições e os costumes das comunidades.

“Existe um sistema que faz com que os alimentos sejam produzidos muito rapidamente, devido a uma alta demanda de consumo. Mas, nesse processo, animais são violados e produtos artificiais e altamente tóxicos são utilizados. Isso é antigo, mas é um modelo que precisamos repensar. A agricultura familiar é totalmente diferente da monocultura”, avalia Cleiton Henriques.

Para o próximo encontro, marcado para o dia 19 de setembro, novamente no Kolping, São Benedito, cada participante deverá levar sementes de uma espécie de hortaliças, verduras e legumes. O objetivo é formar um “banco de sementes” para abastecer a horta que vem sendo cultivada em um espaço externo do galpão.

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