Entidade se renova e se torna ponto de apoio para a comunidade ao oferecer qualidade de vida em forma de projetos

Nas vielas e esquinas que o poder público não alcança, onde o serviço oferecido é precário e não dá conta de atender à demanda geral, moradores se desdobram e se transformam em ponto de apoio e referência para a comunidade local. Onde? Nas associações de bairro. Forjadas com uma missão: lutar pelos interesses da vizinhança e fazer pressão junto aos governantes para que a localidade usufrua dos seus direitos à saúde, infraestrutura urbana, lazer, educação e cultura.

A Associação Comunitária do Bairro Londrina, em Santa Luzia, se empenha em cumprir esse papel desde 1982. Nos últimos oito meses, contudo, ampliou sua visibilidade e credibilidade junto aos moradores, graças principalmente aos esforços de uma nova diretoria empenhada em oferecer cursos, oficinas, aulas e estreitar o laço com a comunidade e com o seu entorno.

A sede de 1.200 m² já está ficando pequena para tantos sonhos e necessidades de atendimento ao público. Centenas de pessoas se dividem entre os cursos de ballet, capoeira, ioga, dança do ventre, desenho, forró, hip hop, inglês, judô, caratê, teatro, técnica vocal, teoria musical com teclado, violão, zumba, silk screen, Informática, reforço escolar e basquete.

Voluntariado

Foto Matéria Associação do Londrina 3Todos os professores são voluntários e recebem de acordo com o que cada aluno pode pagar. Os estudantes são matriculados e cadastrados de modo a formar um conhecimento socioeconômico do local. “Estamos montado planilhas no Excel para que lá na frente a gente conheça melhor a comunidade e dar uma resposta à altura do que eles esperam e precisam. Nós precisamos de números”, explica o presidente e professor de caratê, José Elio Gonçalves.

De acordo com a coordenadora Pollyana Lima, os oficineiros são moradores do bairro e, na hora da escolha, há uma grande preocupação quanto à capacitação dos mesmos. “Nós queremos pessoas não só que se importem com o social, pois só isso não funciona, mas também preparadas, que saibam lidar com crianças e questões de temperamento. Todos eles prestam serviço comunitário, mas com ajuda de custo”, garante.

Sobrevivência e relação com o entorno

Foto Matéria Associação do Londrina 2

Sem ajuda financeira por parte do poder público, Jose Elio e seus companheiros asseguram a sobrevivência do espaço como podem. Com o aluguel do salão em finais de semana para festas, aluguel de alguns equipamentos, parcerias e doações, eles tentam pagar as contas de água, luz e suprir as despesas básicas.

“Nós temos algumas parcerias com o Diretório Acadêmico de Engenharia do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), com a ONG ACESSE-MG e com o Ceapa (Central de Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas). Eles colaboram como podem. Por exemplo, os estudantes de engenharia vão nos ajudar a fazer uma planta do espaço para uma reforma futura. Já o Ceapa traz pessoas que cumprem medidas socioeducativas para cá e a gente acaba ajudando”, explica Pollyana.

A sonhada reforma poderá resultar em ainda mais pessoas atendidas pela Associação. Devido à infraestrutura do atual espaço, o público varia muito de acordo com a época do ano. “As salas são muito quentes, o que causa extremo desconforto no verão. Se contássemos com um espaço maior, teríamos aulas em todos os turnos. Hoje, só conseguimos funcionar de manhã e à noite”, lamenta Jose Elio.

Os sonhos não envelhecem

A despeito das dificuldades, os responsáveis pela Associação não esmorecem. E já pensam nos próximos passos. O primeiro deles é a criação de uma horta comunitária, que servirá para reforçar a qualidade da alimentação dos moradores locais. Outro sonho, já conhecido, é ampliar o espaço e, com isso, oferecer ainda mais cursos para crianças, jovens e adolescentes.

“Nós temos uma quadra para cobrir o que vai possibilitar que ela funcione todos os dias em todos os horários. Pretendemos ter também um fogão industrial e uma estrutura de salas de aula melhorada”, planeja José Elio. Em meio a tantos sonhos, alguns projetos possíveis vão tomando forma e criando raízes com pequenos passos e auxilio dos institutos vizinhos. “Agora em março, nós teremos um sonho já concretizado, que é o reforço escolar e o pré Enem”, comemora Pollyana. Quando os governantes viram as costas, é o próprio povo que arregaça as mangas e vai à luta, por si e por suas comunidades. Nesse quesito, o Londrina – e adjacências – tem muito o que ensinar.

Saiba mais:

Associação Comunitária do Bairro Londrina
Endereço: Rua Lamartine Babo, 103. Londrina (São Benedito).
Telefone: (31) 3634-9474
E-mail: faleconoscoacbl@gmail.com

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