Grupos podem se cadastrar na plataforma online, que servirá de guia para o público e para a realização de políticas culturais

Uma ponte realizada entre o superintendente de Cultura Tom Nascimento, o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e o Lab.Rio (laboratório de participação popular criado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2014) traz para Santa Luzia uma plataforma em software livre que possibilita o georreferenciamento colaborativo da cultura que é produzida na cidade.

Informações sobre instituições, equipamentos e bens culturais poderão ser pesquisados e localizados no Mapa Cultural de Santa Luzia (http://mapacultural.santaluzia.mg.gov.br).  Ele poderá ser usado pelos cidadãos como ferramenta para busca de atrações na cidade e pelos agentes como um reconhecimento dos colegas que movimentam a cena cultural.

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De acordo com o Conselheiro Municipal de Cultura, Tadson Mendes, a plataforma está prevista no Plano Municipal de Cultura e tem sido adotada pelo Ministério da Cultura em vários Estados.  “É um site de muito fácil acesso. Dá para a gente pensar melhor as políticas públicas e culturais voltadas ao município, abrangendo até lugares mais afastados, como Pinhões, por exemplo”.

Apesar de ainda passar por ajustes técnicos, a plataforma já está disponível para acesso. Ao abrir o site, as pessoas encontram as seções eventos, espaços, agentes e projetos. Três grupos artísticos, oito agentes culturais – tanto da sede quanto do distrito de São Benedito – e quatro projetos já estão cadastrados no dispositivo. O projeto foi discutido e aprovado nas últimas reuniões do Conselho Municipal de Cultura, que trabalha para integrar e unir as ações da sociedade civil com o poder público.

Conselho Municipal de Cultura

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De acordo Tom Nascimento, o conselho – do qual também é vice-presidente – busca entender quais são as necessidades dos agente culturais da cidade e entabular maneiras para que a Secretaria de Cultura atenda a essas reivindicações, unindo os dois polos.  

“Já estamos vendo resultados, percebendo que é possível. Nessa reunião tem um monte de gente querendo a mudança e uma conexão com o poder público que não é desacreditada. A principal carência que a gente tinha nesse setor era a falta de diálogo e acesso à informação. Precisamos ouvir o que os atores culturais das regiões têm a reivindicar e levar até eles as respostas, principalmente em forma de documentos”, declarou.

Para Vanessa Pereira, integrante do grupo Soul du Bem, é importante participar do conselho como agente cultural, produtora e moradora, ainda mais sabendo que a região que representa, o Palmital, é um lugar historicamente excluído.

“De acordo com o IBGE, o Palmital tem 34 mil moradores, 70% negros. E que políticas culturais nós temos para a população negra, para a mulher negra? Eu não vejo nenhuma. Só com muita luta vamos conseguir avançar”, ponderou a ativista. “Resolvi participar do conselho para conhecer e entender como funciona de verdade a política cultural. Só assim vai ser possível esclarecer quando falta vontade por parte do poder público para que essas políticas se realizem. Mas é perceptível que as pessoas precisam se integrar mais, participar mais”, completou.

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