E. E. Lafaiete Gonçalves aposta em atividades extracurriculares e na integração com as famílias e comunidade local para mudar a realidade dos estudantes

“Mude a escola e mudaremos o mundo”

Esse é o lema da educadora Marcia Maria Soares, diretora da Escola Estadual Lafaiete Gonçalves. Localizada em uma área considerada de risco no bairro Palmital B, a instituição de ensino tem desenvolvido uma série de ações para se integrar com a comunidade e mudar a realidade dos estudantes.

Com cerca de 150 alunos estudando em tempo integral, a escola passou a oferecer aulas de balé, xadrez, basquete, taekwondo e reforço em português e matemática. Tudo para ampliar o interesse dos jovens e melhorar seu rendimento nas disciplinas regulares.

O suporte dado aos alunos e o investimento em uma educação mais inclusiva é importante também para as muitas mães que precisam trabalhar e não contam com um local seguro para deixar as crianças. “A proposta é fazer dessa escola uma referência em educação e para isso os estudantes precisam saber que nós acreditamos neles”, afirma Marcia.

Detalhes aparentemente simples, muitas vezes, fazem diferença. O processo de mudança passa por vários caminhos como, por exemplo, a tentativa de desenvolver uma intimidade com os alunos mesmo que isso signifique apenas decorar o nome de todos eles, como faz a diretora. “Eu me construo vendo a realização dos meninos”, resume ela.

Comunidade integrada

A integração com as famílias dos estudantes e com a comunidade ocorre, principalmente, nas apresentações e eventos resultantes das aulas extras, abertas para todos. Na última semana (dia 12), a escola comemorou o Dia do Estudante em uma grande festa que envolveu alunos, pais, professores e oficineiros, que proporcionaram aos presentes experiências com grafite, hip hop e muitos jogos.

“Essa é uma forma de levar a comunidade para dentro da escola e mostrar que aqui o ensino é de qualidade”, disse Marcia. No intuito de formar cidadãos mais conscientes, a relação escola-família-sociedade é fundamental, principalmente em comunidades que nem sempre recebem a devida atenção por parte do poder público.

Para a professora especializada em balé clássico, Ilma Silvério, que atua há muito tempo na comunidade, o desafio para que as apresentações aconteçam da melhor maneira possível e tenham a adesão dos alunos é desconstruir alguns preconceitos e mitos. Como a afirmação machista de que homens não dançam balé, por exemplo.

“Apesar disso, percebo que ao longo desses sete meses em que tenho trabalhado com a turma, os alunos estão ficando mais seguros. E isso é um primeiro sinal de que um bom trabalho vem sendo construído”, comemorou a bailarina.

Oficineiro voluntário e publicitário, Michael Felix, reuniu um grupo de grafiteiros para ensinar as crianças a deixar os muros da escola mais colorido. “Queremos levar esse projeto para outras escolas da cidade. A intenção é de que as crianças desenvolvam uma sensação maior de pertencimento ao espaço em que acabam passando a maior parte do tempo”, explicou.

O próximo evento aberto acontecerá em setembro. Uma das atrações programadas é o primeiro exame de faixas da turma de taekwondo. A data será divulgada em breve pela diretoria da escola.

 

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