Crise econômica e desemprego afetaram o varejo na cidade, mas especialistas indicam que o pior já passou e que vendas no segundo semestre tendem a aumentar

20206372_1251834878262070_1184131061_nAluga-se. Passa-se o ponto. Lojas tradicionais, queridas pelas pessoas, fechando as portas. Quem percorre a Avenida Brasília, principal polo comercial de Santa Luzia e um dos mais pujantes de toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte logo percebe o impacto da crise econômica, acentuada no primeiro semestre de 2017, no comércio do município.

As datas comemorativas do final de 2016 – Black Friday e Natal – e o período de liquidações que marca o começo do ano já davam indícios de que a economia local não andava muito bem. Se o PIB nacional cresceu 1% no primeiro trimestre de 2017 (muito em função do agronegócio, é bom frisar) após quase um ano de retração, os resultados ainda não estão aparentes, pelo menos em nossa cidade.

O aumento da inflação e do desemprego, somados à diminuição do crédito e a elevação dos juros minou a confiança do consumidor. As pessoas estão receosas na hora de comprar, optando por poupar mais e se prevenirem para um futuro incerto. Por isso, nem os artifícios comumente usados pelos lojistas para atrair compradores funcionaram nesse primeiro semestre.

Aline Viana é gerente no Lojão Pague Menos, uma das lojas mais conhecidas no São Benedito. Embora sem saber precisar o volume exato de queda, ela revela que as vendas caíram consideravelmente de 2016 para este ano, levando-se em conta o mesmo período de análise. Para impedir que o prejuízo fosse ainda maior, a empresa tem insistido em descontos que chegam a 50%.

DSC01926Para Marcos Antônio da Silva, dono da loja de roupas Star Jeans, nem isso foi suficiente. A única solução encontrada foi passar o ponto para frente. Com ou sem mercadoria. “As vendas caíram muito, mais de 30%, por isso estamos passando o ponto. Tentamos reverter essa situação negociando para que abaixassem o aluguem, reduzimos o quadro de funcionários, fizemos promoções. Nós participamos das reuniões periódicas do sindicato, promovida pelo Tião da Thamires, mas absolutamente nada foi o suficiente”, lamentou o empresário.

Na loja de Mario Dalmásio, a HJH Ferragens, o lucro também caiu 30%. “Há dois anos eu estou nesse ponto. Faço promoções, tento dar mais descontos quando o pagamento é à vista, luto com os fornecedores para diminuir os preços, mas a concorrência também é muito grande. E a gente não percebe nenhuma ajuda por parte dos governantes. É complicado”.

Independentemente do segmento, o cenário é o mesmo. “Nosso carro-chefe são as carnes, mas apesar de já termos um nome consolidado na cidade e uma clientela de anos, as vendas estão caindo. Nem mesmo as promoções que apresentamos não nos ajudam a levantar os números”, expôs o gerente do Supermercado Uberaba, Geraldino Fortunato.

Esperança para o segundo semestre

DSC02311De acordo com pesquisa da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio), a maioria das empresas (61,9%) viu seu volume de vendas reduzir no primeiro semestre de 2017 em relação ao mesmo período de 2016. Se comparado com o último semestre, 54,9% dos lojistas observaram queda nas vendas. Apenas 21,8% dos entrevistados alcançaram suas metas nos seis primeiros meses do ano.

Mas a expectativa é que esse quadro mude no segundo semestre de 2017. A pesquisa aponta que, movido pelo otimismo e pela esperança, 46,0% do comércio varejista acredita que o segundo semestre de 2017 será melhor do que o primeiro semestre do ano. Os segmentos com melhores expectativas são: equipamentos e materiais para escritório, informática e de comunicação (38,9%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (25,9%).

De acordo com o presidente do Sistema Fecomércio, Lázaro Luiz Gonzaga, os últimos seis meses do ano serão mais aquecidos, com intensificação da atividade econômica e injeção de renda no mercado devido às vagas de emprego temporário e o 13º salário. “Nesse período, o empresariado percebe um cenário econômico melhor, especialmente no varejo, que trabalha diretamente com o consumidor. Por isso, há mais confiança em uma retomada das vendas”. Três datas comemorativas devem contribuir para esse crescimento: Dia dos Pais, Dia das Crianças e, claro, o Natal. Além de eventos como Black Friday e Cyber Monday, que vêm ganhando força a cada ano.

 

 

 

 

 

 

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