Maioria dos barraqueiros comemorou lucros com a festa e elogiou organização do evento

Após um hiato de seis anos, o resgate do carnaval de Santa Luzia suscitou discursos apaixonados e diálogos acalorados. Mas, para além das opiniões cheias de amor e de ódio – que andam juntos, na visão freudiana –, a chance de lucrar com a festa foi o principal objetivo dos comerciantes que investiram em barracas e espaços exclusivos para alimentar e saciar a sede dos foliões luzienses, tanto na Rua Direita quanto na Avenida Brasília.

Para a maioria dos comerciantes que conversaram com o Observatório Luziense, o resultado foi positivo, principalmente aqueles que, mesmo pagando uma taxa mais alta, preferiram alugar as barracas montadas pela Prefeitura. Já os que apostaram em abrir as portas de suas casas para vender quitutes e bebidas não ficaram tão satisfeitos.

O esforço, contudo, foi igual para todos os comerciantes. Para garantir que as vendas durante a folia fosse bem sucedida, eles tiveram que encarar a chuva – para muitos, a maior vilã do carnaval deste ano – e a jornada de trabalho exaustiva. Muitos optaram por dormir nas próprias barracas, enquanto outros chegavam no começo da tarde e só iam embora no meio da madrugada.

Rua Direita

Marinheiro de primeira viagem em gastronomia de eventos, Giovani Rodrigues disse que a quantia ganha com a venda de bebidas e pasteis na rua Direita dará para cobrir o aluguel da barraca e ainda tirar um pequeno lucro. Para ele, a segurança foi o grande destaque do carnaval. “Não tivemos nenhum incidente, até trouxe minha filha para participar. Nos próximos eventos que acontecerem na cidade, vou querer estar dentro”, garantiu.

Maria Aparecida, mais conhecida como “Cida do Tropeirão do Tião”, ganha a vida montando sua barraca em eventos de cidades vizinhas. Ela comemorou poder participar e vender seus produtos em sua própria cidade. “É bom estar em casa. Geralmente, tenho que ir para outras cidades, pois aqui não tinha mais eventos, então acabo viajando toda semana. Além disso, lá fora eu não tenho prioridade e gasto mais, corro riscos nas estradas. Por isso, é importante termos mais eventos aqui em Santa Luzia”, disse a cozinheira, que também ficou satisfeita – “e surpresa”, confessou – com o resultado das vendas.

“É bom estar em casa. Geralmente eu tenho que ir para outras cidades, pois aqui não tinha mais eventos, então tenho que viajar toda semana. E lá fora eu não tenho prioridade. Eu só vou quando precisam de mim e quando a cidade precisa. Então eu corro risco na estrada, gasto mais. Mais eventos como esse precisam acontecer”, contou.

Suelen Machado veio de Belo Horizonte para vender bebidas e coquetéis no carnaval. Ao contrário dos colegas luzienses, ela não ficou tão animada. “Comparado a outros eventos em que trabalho, as vendas não foram tão boas”, disse ela, que também reclamou do atraso para o início dos shows. “O som ficou baixo e demorou a ligar. Quando o povo começou a beber, a festa acabou”.

Para Davi Batista, a permissão para que os foliões levassem bebidas de casa atrapalhou nos lucros. O comerciante, que também montou uma barraca de coquetéis, não estava muito empolgado. “A chuva também fez com que o movimento caísse”, lamentou.

São Benedito

Se alguns comerciantes reclamaram da chuva, outros usaram a criatividade para lucrar com ela. Foi o caso de Paulo Dias, o “Paulo Pretão”, que apostou no caldo de mandioca para aquecer o povo que foi festejar na Avenida Brasília. “O carnaval precisava voltar e voltou no momento certo. Nunca vi um evento tão bem organizado na cidade”, elogiou.

Para ajudar nas vendas, Paulo contratou cinco pessoas para trabalhar com ele em sua barraca. “Vai dar para pagar todo mundo, pagar o aluguel da barraca e ainda vai sobrar um lucro razoável. Mas tem que trabalhar muito, começamos por volta de uma da tarde e só paramos quando o som desliga”.

Para Jucione da Conceição, o resultado das vendas só não foi melhor devido à chuva. “A programação foi muito boa. Quando não choveu, como hoje (terça-feira), o movimento foi muito intenso”, disse ela, que ganhou mais nas vendas de comidas típicas de rua, como espetinhos e o tradicional macarrão na chapa.

Lucas Cristóstomo é educador físico, mas aproveitou o carnaval e, junto com amigos, montou uma barraca na Avenida Brasília de olho em uma renda extra. “Todos falaram muito bem da organização do evento. Ficamos seis anos sem ter carnaval aqui, isso traz um atrativo muito grande para a cidade”, avaliou. Para ele, a iniciativa tem que ser levada para outras áreas. “Precisamos de mais eventos esportivos em Santa Luzia”, disse.

Apesar dos comentários positivos, alguns comerciantes reclamaram de uma fiscalização mais rígida por parte da Prefeitura. Foi o caso de Belmira Rodrigues, que veio de Belo Horizonte. “Nos garantiram que não haveria vendedores ambulantes até 300 metros de onde estamos, mas eles estão por aqui com caixas de isopor. Isso tira nosso lucro. O preço das barracas poderia ter um precinho melhor também”, avaliou.

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