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Acordo entre Adriano do São Cosme e Henry Santos é desfeito e ex-líder de Roseli Pimentel na Câmara perde sua vaga no Legislativo de Santa Luzia

Mágoa. É o que restou de uma relação de troca natural dentro do jogo político.  A união e o apadrinhamento entre os vereadores Henry Santos (PRB) e Adriano do São Cosme (PMN) –   fomentados pela ex-prefeita Roseli Pimentel (PSB) no início do ano – chegaram ao fim junto ao afastamento do terceiro (e mais poderoso) elemento que compunha a relação.

Eleito com 1.404 votos em 2016, Henry ocuparia seu primeiro cargo como vereador no município quando foi convocado pela então prefeita a assumir a Diretoria de Prevenção ao Álcool e Drogas da Secretaria de Desenvolvimento Social. O que resultou na convocação para que Adriano, primeiro suplente de sua coligação, reassumisse seu lugar no Legislativo.

O rearranjo foi arquitetado no início de fevereiro de uma forma que, aparentemente, todos os envolvidos saíssem ganhando. Com o movimento, a prefeita prestigiaria um apoiador de última hora e entregaria ao PRB, partido ligado à Igreja Universal, uma diretoria cujo trabalho é voltado para a camada mais carente da população, justamente a que mais se identifica com igrejas evangélicas neopentecostais.

Nesse jogo, venceu a prefeita, que acertou uma dívida e colocou na Câmara um aliado experiente e articulado o bastante para ser escolhido como seu “líder”; venceu Adriano, que recuperou o cargo que havia perdido nas urnas; e venceram o PRB e o então diretor Henry Santos, que teve nas mãos a possibilidade de consolidar ainda mais seu nome com o eleitorado.

Na pratica, a teoria é outra

De acordo com Adriano em entrevista concedida na época à nossa reportagem, a decisão foi tomada em conjunto pela prefeita e pela presidência do PRB. “Houve uma conversa com o presidente municipal e estadual do partido e, por eu estar a mais tempo na política e ser mais articulado com os vereadores, era importante a ida do Henry para a secretaria e o meu retorno à Câmara. A intenção é não dividir. Nós vamos conseguir fazer pela primeira vez em Santa Luzia uma unificação. Um vereador de mandato ocupando um cargo em uma Secretaria. Será uma atitude pioneira. E o resultado será positivo para a cidade”.

No entanto, durante o desenrolar dessa narrativa, Henry Santos não se sentiu tão pertencente a essa “unificação” e ficou incomodado com a falta de prestigio de sua atuação na Secretaria e pela “falta de verba” investida na mesma, como o próprio relatou ao Observatório Luziense. O que resultou em sua saída do Executivo. Embora Henry afirme que foi exonerado juntamente com os demais secretários, primeira medida do prefeito Fernando César (PSDC) ao assumir a prefeitura, fontes ligadas ao ex-diretor garantem que ele já havia pedido para ser exonerado.

Em um efeito dominó, essa atitude atingiu diretamente Adriano, que se sentiu traído. “Além de pedir para ser exonerado, ele ainda exonerou do gabinete que nós estávamos compartilhando os funcionários que trabalhavam para mim. Ele não foi capaz de honrar sua palavra. Da mesma forma como nós sentamos no início do acordo para conversar sobre como as coisas aconteceriam, isso deveria ter sido feito agora. Mas eu nem fui consultado”, acusou.

Henry Santos na Câmara

Para Henry, há a percepção de que o colega ficou “chateado”, pois foi pego de surpresa. Mas isso não altera em nada a relação de ajuda mútua entre os dois. “Nós ainda não sentamos direito para conversar. Conversamos mais sobre como ficaria a composição do gabinete, que foi todo transferido para mim. Ele teve que exonerar os funcionários e eu precisei contratar alguns. A proposta para que eu ocupasse a Diretoria na Secretaria de Desenvolvimento Social foi boa, mas era uma diretoria nova, que devido ao cenário político geral não foi possível que se investisse nela, mas fizemos o que deu para fazer”, disse.

Voltando para a Câmara após oito meses, Henry avaliou a atuação do Legislativo luziense em 2017. “Eu acho que a Casa está mantendo a transparência. É um trabalho diferenciado, se for comparado ao da Câmara no ano passado. E eu quero contribuir muito, não só em uma área especifica, mas para o município de forma geral. Como eu estive dentro da prefeitura, consigo ver os problemas de uma melhor forma”.

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