Em alguns postos, vendas do combustível caíram 30%. Para não gastar mais, muitos consumidores optaram pelo etanol na hora de abastecer

Quem entrou em um posto para abastecer seu veículo na última sexta-feira (21) certamente se assustou. De um dia para o outro, o preço da gasolina foi reajustado em R$ 0,41 por litro e em R$ 0,21 por litro de diesel. O anúncio foi feito pelo Governo Federal somente no final da tarde de quinta-feira (20) e pegou de surpresa motoristas de todo o Brasil. A mudança ocorreu devido à alta do PIS Cofins incidente sobre os combustíveis, que passou de R$ 0,38 para R$ 0,79 por litro de gasolina e de R$ 0,21 para R$ 0,46 por litro de diesel.

Em Santa Luzia, o aumento rapidamente impactou as vendas nos postos. Em alguns deles, a venda da gasolina chegou a cair quase pela metade. A procura diminuiu e, quando chegavam para abastecer, os motoristas deram preferência para o etanol que, apesar de ter menos rendimento, está com o preço mais em conta.

“Costumamos vender cerca de 26 mil litros de gasolina por dia. No sábado, não chegamos a 16 mil”, lamenta o gerente do Posto VHR, Admar de Souza Guedes. Segundo ele, as vendas já vinham em queda desde o mês de abril, mas se acentuaram após o aumento brusco da última semana, o maior no Brasil desde 2002. “Trabalho com combustíveis há 27 anos. Essa é a maior crise que já vi”, completa Admar.

No Posto Xanatan, localizado no início da Avenida Brasília, a queda foi semelhante. No final de semana, a procura por gasolina nas bombas caiu 30%. “Hoje mesmo (domingo), só coloquei etanol”, revela o frentista Rogério. “Gastava em média R$ 250 por semana com gasolina, mas agora vai ser só etanol. Tenho que calcular qual será o rendimento do carro”, diz Ronaldo Silva, morador do São Benedito. Quem não possui carro flex e não pode optar vai ter que pensar bem antes de tirar o carro da garagem. É o caso do morador do bairro Liberdade, Leonardo Olímpio. “Vou evitar sair, né? Passear com o carro agora vai ser só nos finais de semana”.

OL - Posto Box Service

A mudança repentina dos preços acabou confundindo os consumidores. Muitos correram para os postos na sexta-feira pensando que a alta viria apenas no dia seguinte e se surpreenderam com o aumento. Foi o que aconteceu no Posto Box Service. “Teve muita procura na sexta, mas o preço já tinha subido. Ainda assim, muita gente encheu o tanque com medo de um aumento ainda maior nessa semana”, conta o gerente da empresa, Amilton Pacheco (com sua equipe na foto acima. Passado o susto, o jeito foi priorizar. Enquanto nossa reportagem ficou no posto, todos os clientes que pararam abasteceram seus carros com etanol.

Foi o caso da taxista Maria Alice (abaixo). Moradora do bairro Jaqueline, na divisa de Belo Horizonte com Santa Luzia, ela trabalha em Confins e sempre abastece no São Benedito devido aos preços mais em conta. “Gasolina no meu carro agora, só na reserva mesmo, para um caso de emergência. Só vou rodar com etanol”, garante.

OL - Taxista Maria Alice

Revolta

Não foi apenas a surpresa que tomou conta dos consumidores. A sensação é de revolta com o aumento do preço dos combustíveis. “Não é novidade. O governo rouba, rouba, e quem paga é o consumidor”, reclama o gerente comercial Marcelo Tavares, morador do Cristina A. “Me sinto roubada. Não há justificativa para esse aumento, estamos pagando uma conta que não é nossa”, cobra Maria Alice. Morador do Cristina C, Cristiano (abaixo) está preocupado. “Vivo em cima da moto, é meu ganha-pão. Vou ter que trabalhar para pagar a gasolina”.

OL - Cristiano

O aumento dos combustíveis também pesará no bolso dos consumidores de outras maneiras. Com o reajuste, os preços de bens e serviços também irão subir. Segundo estimativa da Agência Nacional de Transporte de Cargas (ANTC), o preço do frete deverá subir 4% nas próximas semanas, incidindo diretamente no preço de alimentos, por exemplo. De acordo com o boletim Focus do Banco Central, o aumento do PIS/Cofins deverá elevar a inflação para 3,33% em 2017.

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