Pressão de ex-funcionários mobiliza vereadores, que cobrarão do Executivo a solução para um problema que se arrasta por anos

Sai e entra governo e a saúde em Santa Luzia segue repleta de mazelas. E o que é pior, as soluções caminham a passos lentos. Principalmente após a decisão tomada pelo ex-prefeito Carlos Calixto de fechar o Hospital São João de Deus, o único da cidade. Agora em 2017, o impasse recai sobre sua reabertura da ou a criação de um novo centro de atendimento.

Na reunião da última terça-feira (21) da Câmara Municipal, a vereadora Luiza do Hospital (PTB) apresentou requerimento para disponibilização de informações claras sobre esse assunto. A pergunta principal é: “Existe algum projeto ou estudo visando à reabertura do Hospital?”.

De acordo com o documento, o município ficou desassistido dos serviços oferecidos por cinco clínicas médicas antes atendidas no São João de Deus: cirurgia geral, ginecologia, obstetrícia, pediatria e pronto atendimento. Para ter acesso a essas especialidades, os luzienses precisam recorrer a outros municípios. O que é um risco para a população e tem gerado insatisfação de todos na cidade.

“Estamos às escuras, sem respostas. Cento e quarenta funcionários estão até hoje sem receber e o Governo do Estado exige que o município ofereça pelo menos as especialidades elencadas, que foram tiradas do nosso povo. Os pacientes estão jogados ao léu. O hospital municipal não tem vaga para todo mundo, não supre a necessidade”, cobrou Luíza. “Eu acho que isso tem que ser resolvido o mais rápido possível. É uma resposta simples, ou reabre ou não reabre. A gente não pode ficar alimentando as esperanças desse pessoal. Esse hospital tem todas as chances de voltar a atender, mas a dívida está aumentando, o que vem tornando as conversações inviáveis”, completou a vereadora.

Funcionários reivindicam solução rápida

Grupo protesto HSJDDNa reunião, um grupo de ex-funcionários do Hospital São João de Deus usaram o plenário para reivindicar seus direitos e apoiar o requerimento da vereadora. De acordo com eles, são aproximadamente sete meses de salários não pagos, além da rescisão de contrato de mais de 100 funcionários. Uma ação foi ajuizada junto à Justiça do Trabalho, mas ainda não houve uma solução para o problema.

Para Renata Gomes, uma das prejudicadas presentes na reunião, o fechamento foi uma surpresa, pois no último ano de funcionamento, não houve falta de material e o hospital estava conseguindo suprir as necessidades da população. “Independentemente de sermos ex-funcionários e não termos recebido, nós, assim como toda a população de Santa Luzia, queremos e precisamos que o hospital seja reaberto”, disse.

Os únicos direitos assegurados aos funcionários, após a luta judicial liderada pelo Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas de Minas Gerais (Sintibref), foram o recebimento do fundo de garantia e o seguro desemprego. Técnica de enfermagem, Andréa Aparecida foi funcionária do hospital por 14 anos. Para ela, a situação só vai para a frente se houver pressão popular. “A dívida é totalmente negociável, então estamos nessa situação por puro descaso do poder público”.

Por mais de 10 anos, Arlete Ferreira cuidou da limpeza do São João de Deus. Agora, o que ela deseja é a reabertura do hospital e, consequentemente, ter os seus direitos assegurados. “Meu tio sofreu um AVC e teve que ser levado às pressas para o PA (Pronto Atendimento) do Distrito. Se a família não tivesse um carro, ele poderia ter falecido ou tido sequelas mais graves devido à distância. Estamos indignadas. Eu me sinto envergonhada em falar que sou uma luziense. A saúde aqui é um caos”, denunciou.

Audiência pública

Com a pressão popular, a iniciativa de Luiza incidiu na promessa de marcação de uma audiência pública na Câmara para discutir a questão, ainda sem data marcada. Para o presidente da Comissão de Saúde, Ação Social e Meio Ambiente, vereador Paulo Bigodinho (PEN), a cidade precisa de soluções pontuais para o problema. Ele citou como exemplo a volta do pronto atendimento na parte alta de Santa Luzia, o que desafogaria o PA do Distrito.

De acordo com Bigodinho, a medida diminuiria o número de atendimentos no São Benedito e atenderia, principalmente, moradores de bairros como Pinhões e outros ainda mais distantes. “Precisamos de respostas. O que será feito? Existe algum planejamento para o hospital ou ele realmente permanecerá fechado? E, caso não haja solução, o que será feito pela saúde da população? Daí a importância da discussão em Audiência Pública. Os gestores do hospital irão expor, assim como o Executivo. Vamos fazer de tudo para colaborar para a resolução do problema”, garantiu o vereador.

Comments

comments