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Principal data para o comércio varejista, o Natal foi frustrante para lojistas e empresários do setor em Santa Luzia. Nem a proximidade com a Black Friday, no dia 25 de novembro, fez com que as vendas atingissem os patamares esperados. A expectativa para dezembro, com uma movimentação superior a R$ 2 bilhões, não se concretizou.

O desemprego, que bateu a marca de 12 milhões de brasileiros, é apontado como o principal vilão para o mau momento do comércio, seguido pela inflação em alta e a limitação do crédito. Tudo isso deixou o consumidor mais receoso e, consequentemente, deixou as lojas mais vazias. No Natal, as “lembrancinhas”, produtos geralmente mais baratos, roubaram a cena. Parcelamentos também foram evitados.

“Comprei bem menos esse ano. Nessa crise, selecionei mais os produtos, pesquisei bastante e, mesmo assim, tive que ficar só com as lembrancinhas mesmo”, diz Jéssica da Silva. Até a seleção de quem presentear foi mais criteriosa. “O momento é de contenção de gastos. Também tive que diminuir a quantidade de presentes que dei no final do ano”, contou.

O comportamento dos consumidores refletiu no balanço das lojas. A loja de roupas Divina Soares, localizada na Avenida Brasília, teve um lucro 33% menor que no mesmo período de 2015, revelou sua dona, Marilda Soares, que tem alertado sua equipe de vendas na importância do trato com o consumidor. “Nossa estratégia é cativar cada vez mais o cliente, para que ele possa levar mais produtos do que aqueles que eles procuram”, disse a empresária.

A crise também bateu forte em grandes conglomerados do comércio varejista. A unidade da Ricardo Eletro do bairro São Benedito teve dificuldades para atingir seus objetivos. De acordo com o gerente Wagner Matos, as expectativas para 2016 não foram alcançadas. “Os funcionários não conseguiram atingir a meta e isso aconteceu em quase todas as filiais da loja, não só aqui em Santa Luzia”, lamentou.

Segundo Matos, a retirada dos camelôs da Avenida Brasília, remanejados para a antiga estação de ônibus do São Benedito pela Prefeitura, também influenciou na queda do movimento, devido às manifestações promovidas pelos ambulantes exatamente no período em que os consumidores mais costumam ir às compras. “Com os protestos dos camelôs na avenida, o cliente ficou com receio de vir fazer as suas compras”, afirmou.

Descontos de até 80%

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O ano é novo, mas a contenção financeira dos anos anteriores promete se prolongar. O crescimento econômico de 2017, inicialmente imaginado pela equipe econômica do presidente Michel Temer em 1,6%, deve cair pela metade, no melhor dos cenários. Por isso, janeiro, mês conhecido pelas liquidações, gera no comércio uma esperança tímida. “Parar de comprar ninguém para, mas as pessoas estão com um limite de crédito mais restrito. A nossa estratégia nesse mês de janeiro é fazer muitos treinamentos com os vendedores e divulgar bastante os preços de liquidação na mídia”, disse o gerente da Ricardo Eletro, Wagner Matos.

Para conseguir números melhores, algumas lojas buscam atrair os consumidores com descontos que chegam até a 80%. Para Henrique Falletti, responsável pelo marketing da loja Pernambucanas, o preço baixo e a atenção ao cliente prometem ser os diferenciais da empresa nesse mês de promoções. “Nós iremos focar nos produtos mais atraentes e enfatizar mais a área de moda, que ganhou os maiores descontos em nosso mix”, disse.

Na Itapuã Calçados, a prática é semelhante. Além dos preços mais baixos, a empresa garante que irá oferecer juros menores para quem quiser parcelar suas compras. “A gente espera que os próximos meses sejam melhores e que, ao menos, consigamos bater as nossas metas”, desejou o gerente Thiago Soares.

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Encontrar um bom preço nesse período fica um pouco mais fácil, mas, ainda assim, é preciso que o consumidor pesquise e compare os preços para saber se está realmente fazendo a melhor escolha. É o que Elisangela Lopes costuma fazer. “Antes de comprar, eu sempre pesquiso bastante, vou em lojas diferentes, comparo os preços. E mesmo fazendo dessa forma, a gente acaba sendo passada para trás. É preciso tomar cuidado”, alertou.

Se para alguns lojistas a expectativa a curto prazo é diminuta, para os consumidores o momento é de um pouco mais de esperança. Para Fabiana Aparecida, “que pior que esta não dá pra ficar. Então, acredito sim que a gente possa voltar a fazer compras como antes. Eu não comprei nada nesse Natal, mas quem sabe no próximo, né?”. É o que todos esperamos.

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